DANIEL FERREIRA     CRIAÇÃO + PESQUISA
Youtube Cinema arte

O filme perfeito, segundo 87% do público economicamente ativo.

Considero a neurociência como uma das áreas mais interessantes da atualidade, mas me incomoda a prática sugerida por este artigo na WIRED, sobre neuromarketing aplicado ao cinema.

Os cineastas serão capazes de identificar precisamente quais sequências/cenas excitam, envolvem emocionalmente ou perdem o interesse do público com base em quais regiões do cérebro são ativadas. A partir desta informação o diretor pode editar, re-filmar uma performance ruim, ajustar uma trilha sonora, incrementar os efeitos especiais e aplicar quaisquer outras mudanças para melhorar ou substituir as cenas menos cativantes.

(…) Esta tecnologia não faz lavagem cerebral em ninguém. O cérebro de um espectador vai revelar as suas preferências pessoais, enquanto criadores serão capazes de prestar atenção a aqueles detalhes importantes de forma a produzir filmes melhores e saber como vendê-los de maneira efetiva. (traduçao e grifos meus)

Se não se trata exatamente de uma “lavagem cerebral” (embora a longo prazo seja praticamente isso), quando a própria mente passa a determinar o mundo ao seu redor o resultado me parece ser uma espécie de curto-circuito mental. Não é surpresa que essa estratégia seja adotada pela indústria do entretenimento (gostemos ou não, o neuromarketing já existe a um bom tempo, nos ajudando a identificar as nossas mais profundas necessidades).

Só espero que esse tipo de abordagem não se torne prática comum na produção artística e cultural de uma maneira geral. Quando eu vou ao cinema a última coisa que eu quero ver é o que eu espero ver.


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