DANIEL FERREIRA     CRIAÇÃO + PESQUISA
Form+Code resenha

How has software affected the visual arts?
What is the potential for software within the visual arts?
As a designer or artist, why would I want or need to write software?

Form+Code: in Design, Art and Architecture (Casey Reas, Chandler McWilliams e LUST, 2010) é uma boa introdução para iniciantes na área definida pela interseção entre arte e software (ou programação de computadores).

O livro também traz idéias e reflexões que podem interessar mesmo aos leitores mais experientes na área.

As perguntas reproduzidas acima, propostas no início do livro, são um excelente ponto de partida para uma discussão aprofundada (e necessária) sobre o uso das mídias digitais nas artes. Vale notar, porém, que por conta do caráter introdutório do texto, estes tópicos não chegam a ser tratados de maneira muito aprofundada.

História

The desire to construct a system for compositing images, rather than making a single image, has a long history in modern art. (pg. 101)

A história do uso do computador pelos artistas é tratada de maneira sucinta mas bastante completa. Desde a relação entre a Arte Computacional e a Arte Conceitual (a partir de artistas como John Cage, Allan Kaprow e Yoko Ono) e com a Arte Moderna em geral, o projeto Aaron (um “pintor virtual”, do artista e pesquisador Harold Cohen), até as discussões sobre Fluência Procedural, a partir de Michael Mateas.

Expressividade Procedural
Reproduzo abaixo algumas citações dignas de nota a respeito do potencial artístico e expressivo das mídias digitais:

In the computer, man has created not just an inanimate tool but an intellectual and active creative partner that, when fully exploited, could be used to produce wholly new art forms and possibly new aesthetic experiences.
(Michael Noll, 1967)

Today we’re beginning to realize that the new media aren’t just mechanical gimmicks for creating worlds of illusion, but new languages with new and unique powers of expression.
(Edmund Carpenter e Marshall McLuhan, 1960)

Notas diversas
Seguem outros tópicos e trechos que considerei particularmente interessantes:

  • A idéia de que não há apenas um “jeito certo” de escrever um algoritmo (ou de obter um mesmo objetivo ou resultado);
  • A distinção entre o emprego do software na etapa da produção (de uma idéia já pré-concebida) e na própria concepção da idéia;
  • Os autores sugerem que inicialmente os artistas se interessaram pelo computador unicamente por conta da sua precisão e rapidez com que poderiam executar as suas idéias (como no caso de Vera Molnar e Manfred Mohr). Isto é, apenas mais tarde a mídia digital seria vista como uma forma expressiva própria, em oposição a uma ferramenta que simplesmente facilitava processos criativos tradicionais.
  • Há um exemplo de expressividade procedural aplicada no contexto da apropriação/modificação, no projeto QQQ (Tom Betts, 2002) – a técnica é análoga à prática da colagem nas artes plásticas;

O livro tem uma presença online em formandcode.com, onde podem ser encontrados diversos exemplos e informações complementares.


Meta-PS: achei curiosa (e problemática) a escolha dos autores em apresentar a primeira frase de cada capitulo como um “experimento visual” – embora seja visualmente interessante, em muitos casos o texto se encontra ilegível, prejudicando o seu entendimento.

Meta-PPS: sou a favor de cada vez mais objetos ou entidades físicas terem “um site” (ou um índice virtual único, tipo um URI). É uma maneira relativamente simples de garantir uma constante atualização das informações relacionadas a esta entidade, de maneira consistente e sem redundância.

Obs: editado em 17/07/2013, para correção de formatação e algumas pequenas mudanças no texto.


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