DANIEL FERREIRA     DIGITAL CREATIVE
Arte Como Pesquisa pesquisa

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A pesquisa científica e tecnológica não é tão “objetiva” como muitos de seus profissionais gostariam que fosse (…) [O] empreendimento todo está sujeito a poderosas forças políticas, econômicas e sociais (…) Muitas teorias e tecnologias que poderiam ser significativas são ignoradas. (…)

Linhas de pesquisa de grande valor morrem pela falta de apoio, porque elas não são favoráveis a determinadas disciplinas científicas. Novas tecnologias com um potencial fascinante são abandonadas porque se julga que não sejam comercializáveis. (…)

Preocupa-me que a mão invisível do mercado possa não ser tão sábia como muitos gostariam que fosse. Os julgamentos que fazem que o curto prazo tenha sentido para acionistas não tem sentido para a cultura. (…)

Acredito que a arte pode ter um papel crucial como zona de pesquisa independente. (…) Ela poderia se transformar num lugar para se investigar temáticas abandonadas, desacreditadas e não-ortodoxas. (…) Os papéis dos artistas poderiam incorporar outros papéis como os de pesquisador, inventor, hacker e empresário. (…)

[Nos primórdios da arte computacional:] o que é mais importante é o fato de que os artistas estavam fazendo experiências com microcomputadores quase ao mesmo tempo que outras pessoas envolvidas com desenvolvimento e pesquisa. (…)

Talvez a própria categorização segmentada de artista e pesquisador mostre que esse é um anacronismo histórico; talvez surjam novos tipos de papéis integrados. (…)

A pesquisa mudou radicalmente nossa cultura e vai continuar a mudar. A arte precisa ser parte essencial desse processo.

Trechos de ‘A arte como pesquisa – A importância cultural da pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico’, de Stephen Wilson (1996). Tradução de Flávia Gisele Saretta. (leia o texto completo em  portugês e inglês). Parte integrante da coletânea ‘Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e criatividade’, organizada por Diana Domingues (2003).

Este texto foi tema de discussão no grupo ADMD (Arte, Design e Mídias Digitais – ECA/USP), sob coordenação de Monica Tavares.


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